TARDE SEXTA-FEIRA
- Vê como se finge de morto quando o predador se aproxima? Predadores não se interessam por alimentos mortos. Perde a graça da caça. – Rita.
Com o nariz colado ao vidro o menino absorvia cada palavra de sua irmã.
- Ele não está morto? – Simon.
- Não mesmo. Vai ficar fingindo por mais algum tempo. Até ter certeza de que é seguro sair. – Rita.
Caminharam um pouco mais para frente continuando a observar a vida aquática ao redor, do outro lado do vidro.
- Já pensou, Simon, ficaremos longe da mamãe... Do papai... O que você faria? – Rita.
- Por que eu ficaria longe? – Simon.
- Caso algo acontecesse... Eu me fingiria de morta... Acho que não daria para fazer algo assim, mas eu poderia... Fingir amnésia...
- Você fala estranho, Rita.
- Estamos aqui para ajudar o papai e a mamãe. Você nasceu aqui!
Ela olhou para cima, mas continuava impossível ver através da água do outro lado do vidro.
- Mas um dia vamos para fora, de novo. Você vai saber o que é o céu... – Rita.
- Eu já sei o que é o céu! – Simon.
- Vou poder ver as estrelas... E talvez tenha um cachorro, ou um gato... Ramster, pato, canário... Sei lá! O que gostaria de ter?
- Este lugar para sempre...

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