quinta-feira, 17 de junho de 2010

Episódio 5

TARDE QUINTA-FEIRA

- Lembre-se do que conversamos. Nada de deixar sua... Marta preocupada. Se tornar a desaparecer nós teremos que avisar o Juizado de Menores imediatamente e não poderá viver conosco. – Laércio.

Gabriel desligou o telefone sabendo que nada mais escutaria e porque já estava cansado daquela conversa. Recostou-se no sofá com o fichário nas coxas dando continuidade à sua tarefa de escola. Leila, sentada de mesmo modo no outro braço do sofá deixava o material escorregar ao adormecer. Ele cutucou-a com o pé.

- O que é? – Leila.

- Não terminou sua lição ainda? – Gabriel.

- Cuida da sua vida.

Gabriel juntou seu material e foi terminar a tarefa na cozinha. Não importava-se com o modo como era tratado, não por ela.

- Leila, pode me ajudar? – Bernardo.

- O que é pirralho? – Leila.

- O que vem depois do O de ovo?

- P de Pluto.

- Obrigado!

Ele voltou a concentrar-se enquanto Tereza rabiscava em sua cadeirinha e Gabriel olhou para Leila, não demoraria muito para ela voltar a adormecer. Marta entrou na cozinha falando ao telefone, aprecia animada.

- Sim. Estão ótimos. Gabriel está bem, sim. Está fazendo a tarefa da escola, como os outros. A senhora quer falar com eles? Nos fará uma visita na próxima quinta? Está marcado, senhora Mônica. Até amanhã.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Episódio 4

MANHÃ QUINTA-FEIRA

- Dra. Ana, não vai acreditar! – Teodoro.

Ela levantou-se da cama e foi apressada atrás de Teodoro. Alcançando-o ele começou a explicar.

- O garoto começa a reagir. Está febril agora, sem medicações mais fortes. Ele havia melhorado com a redução do oxigênio e autorizei que diminuíssem mais. – Teodoro.

- Sem me informar! – Ana.

- Desculpe, dra. Ana. A sua idéia, antes, foi brilhante. Por algum motivo o organismo do garoto não absorve tanto oxigênio, e age incrivelmente bem com o pouco que é fornecido a ele.

Chegando a sala de monitoração Ana foi diretamente ao painel para verificar com os próprios olhos o que escutava.

- Dra. Ana, as respostas vêm sendo positivas! – Rebeca.

Ana acionou os comandos no painel, verificando cada informação com cuidado. Colocou os óculos e digitou com maior velocidade.

- Isto não pode... Quem é este garoto? – Ana.

Ela levantou-se para ver através do vidro o garoto deitado com a máscara de oxigênio, ainda que pouco do gás saísse para seus pulmões.

As crianças pareciam brincar, mas o jogo era, principalmente, para a garota. Ela provocava o menor que insistia em se esquivar sem tentar algum ataque.

- O mundo não é seu brinquedo, Simon, é brinquedo dele mesmo. – Rita.

- O que? – Simon.

Simon foi jogado ao chão, mas levantou-se logo, surpreso.

- Chamo este golpe de Tsunami Lua Cheia. – Rita.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Episódio Três

NOITE QUARTA-FEIRA

- Estou com fome. – Bernardo.

- Já vou servir o jantar. – Marta.

Laércio saiu do corredor com os cabelos molhados e foi até a cozinha, dando um beijo na esposa e olhando Tereza.

- Já vai servir? Estão todos à mesa? – Laércio.

- Gabriel ainda não chegou. – Marta.

- Onde ele foi?

- Disse que tinha trabalho de escola, na casa de um colega.

- Ligou para o colega?

- Não há trabalho algum.

Marta suspirou preocupada, soltando a panela.

- Como vamos ajudá-lo se ele some? Não dá notícias e... Estamos aqui por um motivo! – Marta.

- Gabriel está bem e vai aparecer, como nas outras vezes. Vamos jantar e quando ele voltar u converso com ele. – Laércio.

Marta serviu à mesa, mas comia pouco se comparada aos outros, inclusive Tereza. Bernardo terminou de comer e foi buscar a agenda da escola. O mais próximo da porta teve autorização de Laércio para atendê-la.

- Boa noite. – Pedro.

- Boa noite. – Bernardo.

A visita àquela hora da noite era dois policiais e Gabriel diante deles. Vendo-os à porta Laércio baixou o copo e levantou-se seguido por Marta.

- Leila, leve as crianças para cima. – Laércio.