NOITE SEGUNDA-FEIRA
- Dra. Ana, ele está muito alterado.
- Deixe de ser medroso. Nós o faremos ficar bem.
- Certo. E por que você teve de trazê-lo logo para o meu apartamento?
- Mais espaçoso, perto do hospital e porque eu adoro este seu aquário gigante Teodoro.
- O ganhei em uma boa aposta.
O menino voltou a agitar-se menos, a medicação fazia efeito. Os monitores acusaram que ele não conseguia respirar.
A mão de Rita segurava a de Simon dentro da bolha. Ela tentava acelerar a esfera, mas ao redor de seu pulso surgiam bolhas avermelhadas que provocavam dor, resultado da troca de gases no limite entre água e ar.
- Rita!
Ela lhe piscou o olho e jogou um beijo com a mão direita, a mão livre, antes de puxar a outra mão e fazer como Sônia.
Sabia que era melhor do que seus pais que deram a vida pelas pesquisas e sofreram com a química a qual se submeteram. Como Simon, Rita fora trabalhada desde o ventre, mas seria ainda melhor.
“Filho de peixe, peixinho é...” – Rita.
Simon não viu a bolha se erguer tão rápido embora agora com novo impulso e mais leve. Tudo o que via era Rita ficar para trás, e suas lágrimas foram absorvidas pela bolha.
