sábado, 17 de julho de 2010

Episódio 8

TARDE SEXTA-FEIRA

- Vê como se finge de morto quando o predador se aproxima? Predadores não se interessam por alimentos mortos. Perde a graça da caça. – Rita.

Com o nariz colado ao vidro o menino absorvia cada palavra de sua irmã.

- Ele não está morto? – Simon.

- Não mesmo. Vai ficar fingindo por mais algum tempo. Até ter certeza de que é seguro sair. – Rita.

Caminharam um pouco mais para frente continuando a observar a vida aquática ao redor, do outro lado do vidro.

- Já pensou, Simon, ficaremos longe da mamãe... Do papai... O que você faria? – Rita.

- Por que eu ficaria longe? – Simon.

- Caso algo acontecesse... Eu me fingiria de morta... Acho que não daria para fazer algo assim, mas eu poderia... Fingir amnésia...

- Você fala estranho, Rita.

- Estamos aqui para ajudar o papai e a mamãe. Você nasceu aqui!

Ela olhou para cima, mas continuava impossível ver através da água do outro lado do vidro.

- Mas um dia vamos para fora, de novo. Você vai saber o que é o céu... – Rita.

- Eu já sei o que é o céu! – Simon.

- Vou poder ver as estrelas... E talvez tenha um cachorro, ou um gato... Ramster, pato, canário... Sei lá! O que gostaria de ter?

- Este lugar para sempre...

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Episódio 7

MANHÃ SEXTA-FEIRA

Leila finalmente conseguiu descansar. Marta havia passado a noite em claro cuidando dela e cansada preparou o café da manhã.

- Como ela está? – Laércio.

- Melhor. Colocou tudo pra fora, nem quero imaginar o que... – Marta.

- Terão umas surpresas com os relatórios desta semana...

- Sim, mas... Não quero que Leila ou Gabriel, ou Bernardo, sejam afastados de nós.

- Somos quase uma família, não é?

- Não, não somos uma família. Mas não deixamos de ser.

- Bom dia! – Bernardo.

- Bom dia, meu bem. – Marta.

- Pronto para a escola? Hoje é dia de brinquedo! – Laércio.

- Vou levar Feio. – Bernardo.

- O Feio? Você já o tem há dois anos. Está na hora de jogá-lo fora. Eu o fiz e ele é muito, muito, feio. – Marta.

- Por isto tem este nome. – Laércio.

- Ótimo. Ao que parece chegou atrasado inclusive na sexta-feira. – Gabriel.

- Se já está pronto podemos sair agora. Levo você e volto para buscar os menores.

- E Leila?

- Ela não vai hoje. Não se sente bem. – marta.

Gabriel largou a mochila e retornou pelo corredor até o quarto de Leila, que tinha a porta aberta. Olhou-a e entrou, o banheiro do quarto fedia a vomito, porém o rosto dela estava limpo e cuidado por Marta.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Episódio 6

NOITE QUINTA-FEIRA

Ana continuou a observar a criança através do vidro da sala de monitoria. Teodoro entrou, após duas horas de sono e conferiu os painéis. Notou o menino sem a máscara de oxigênio, respirando pela boca com algum esforço que conseguia graças à oxigenação que de algum modo era adequada.

- Dra. Ana, fiz as pesquisas que pediu. – Rebeca.

A doutora pegou a prancheta de folhas impressas. Tanto dados técnicos quanto impressos de jornais.

- Pesquisas? – Teodoro.

Ana afastou-se folheando a informação que tinha em mãos.

- “Mortandade de Peixes – Sem Motivos Aparente. Denúncia de Pesquisas no Mar dos Gerânios – Pesquisas Militares...” – dra. Ana.

Ela parou de ler em voz alta ao notar a atenção de Teodoro e afastou-se um pouco

- Aquela área marítima é militar? – Teodoro.

- Não há registros quanto a isso. – dra. Ana.

- Então é ultra-secreta? Uma zona militar ultra-secreta... Bem aqui em...

- Cale-se.

Ela voltou-se às suas folhas quando o telefone tocou.

- Dra. Ana, para você. Parece importante. – Rebeca.

Ana atendeu e no começo pareceu surpresa. Depois apenas respondia direta e objetivamente. Desligou após passado outro lado da linha, quem havia comandado a ligação.

- Tadeu, Gisele e Rui. Quero-os fora daqui, agora! Arrumem tudo e vão. Não quero nada que me lembre vocês. – dra. Ana.