segunda-feira, 4 de abril de 2011

Episódio 18

NOITE SEGUNDA-FEIRA

- Dra. Ana, ele está muito alterado.
- Deixe de ser medroso. Nós o faremos ficar bem.
- Certo. E por que você teve de trazê-lo logo para o meu apartamento?
- Mais espaçoso, perto do hospital e porque eu adoro este seu aquário gigante Teodoro.
- O ganhei em uma boa aposta.
O menino voltou a agitar-se menos, a medicação fazia efeito. Os monitores acusaram que ele não conseguia respirar.
A mão de Rita segurava a de Simon dentro da bolha. Ela tentava acelerar a esfera, mas ao redor de seu pulso surgiam bolhas avermelhadas que provocavam dor, resultado da troca de gases no limite entre água e ar.
- Rita!
Ela lhe piscou o olho e jogou um beijo com a mão direita, a mão livre, antes de puxar a outra mão e fazer como Sônia.
Sabia que era melhor do que seus pais que deram a vida pelas pesquisas e sofreram com a química a qual se submeteram. Como Simon, Rita fora trabalhada desde o ventre, mas seria ainda melhor.
“Filho de peixe, peixinho é...” – Rita.
Simon não viu a bolha se erguer tão rápido embora agora com novo impulso e mais leve. Tudo o que via era Rita ficar para trás, e suas lágrimas foram absorvidas pela bolha.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Episódio 17

TARDE SEGUNDA-FEIRA

- Eles chegaram!
Marta e Leila correram à janela, onde estavam Tereza e Bernardo. Porém a garota correu para o andar de cima deixando que a mulher e os menores recepcionassem os recém chegados.
- Você ainda está pálido. Não te alimentaram bem no hospital, Gabriel? – Marta.
- E eu, cansado. – Laércio.
- Venham almoçar. Tem batatas, bife, beterraba, feijão... Tudo o que... Leila venha almoçar!
- Gabriel está bem querida. Deste modo ele acabará tendo pressão alta no lugar de baixa.
- Não teve graça.
- Be, Be...
Tereza esticou os braços para que, quem mais considerava seu irmão, a colocasse na cadeira apropriada. Bernardo a pegou, mas foi parado por Laércio.
- Levantá-la fará mal à sua coluna.
- E quando eu crescer, como Gabriel, posso?
- Claro que poderá carregá-la, mas ela terá o seu tamanho.
Bernardo parou pensativo.
- Terá o meu peso?
Gabriel passou a mão pela cabeça do menor.
- É isso aí, garoto. – Laércio.
- Gabriel, por favor, sente-se no sofá. Diga se quiser algo e apenas descanse. – Marta.
- Está cansado? Quer um pouco de água? – Leila.